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Manifestantes trocam provocações em exposição de Pedro Moraleida

Por Sergio Santos | 10/10/2017 22:31

O clima chegou a ficar tenso durante a mais recente manifestação em frente ao Palácio das Artes – desta vez contrária à exposição “Faça Você Mesmo dia Própria Capela Sistina”, de Pedro Moraleida (1977-1999). Mas o embate ficou apenas nas provocações. A partir das 18h20, um grupo de cerca de 300 pessoas aglomerou-se em frente ao local carregando cartazes contra a exposição, a qual rotulavam, aos gritos, de “pedófila”. Os manifestantes contrários à obra de Moraleida ainda fizeram rodas de oração ajoelhados em frente à galeria Alberto da Veiga Guignard e gritavam “Bolsonaro presidente”.

Dentro do Palácio, esperando na fila para ver o trabalho do artista, cerca de cem pessoas respondiam “fascistas” e chegaram a ironizar a reza dos católicos e evangélicos. Cânticos de “vai trabalhar” e “vai estudar” também surgiam de ambos os dois lados.

Diego Ferreira, 29, era uma das pessoas presentes ao ato contra a mostra. “Viemos por causa de nossa indignação de exporem coisas assim para crianças. São aberrações até para adultos. Não deveriam mostrar coisas assim para as crianças”, disse Ferreira, que confessou não ter entrado na galeria.

Já Ítalo Tadeu, 25, engrossava o coro de quem defendia a permanência de “Faça Você Mesmo...” e a liberdade de expressão. “Quem é contra (a exposição) é o pessoal que prega ditadura religiosa. A galeria é fechada, vem quem quer buscar a arte. Se a gente for parar para pensar, quantos casos de pedofilia existem em igrejas? E ninguém foi às portas das igrejas mandar eles pararem de rezar”, disse.

Em meio a essas trocas de ofensas, com ambos os lados entrando nas aglomerações um do outro, alguns mais exaltados chegaram a se estranhar. Não houve, porém, agressões físicas. A Polícia Militar estava presente no local e os agentes não patrulharam a linha divisória entre os grupos, o que contribuiu com o clima tenso do local.

Diante da comoção quase diária em frente ao Palácio das Artes, a gerente de artes visuais da Fundação Clóvis Salgado, Uiara Azevedo, disse não saber “pontuar isso como positivo”. “Era uma exposição muito visitada já, e teve um aumento no número de pessoas com a repercussão. As pessoas podem criticar, mas há o acesso ao trabalho e, a partir daí, cada um tira suas próprias conclusões”, disse.

Crítica a Kalil. Entre aqueles que protestavam contra a exposição, houve quem mostrou indignação com a postura do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS). “Recebi (a declaração de Kalil) com muita tristeza. Não votei nele, mas já tinha imaginado que isso (a exposição) aconteceria em Belo Horizonte. Assim como teve a parada LGBT, que dizem que foi um sucesso. Já esperava isso dele, mas somos cristãos e somos pais. Não vamos mais nos calar”, disse Rogéria Roberti, 42.

O prefeito foi ao local nessa segunda-feira e declarou considerar que “a obra é absolutamente normal”. “Não acredito que nenhum homem do século XXI fique chocado de verdade com o que viu aqui. Nem se fosse mais chocante do que é, porque não é, aqui é o lugar disso”, afirmou o político. Também foram ao local defender a exposição, o secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira; o presidente da Fundação Clóvis Salgado, Augusto Nunes-Filho; e o secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, entre outros.

Fonte: O Tempo